Trabalho Doméstico e suas (In)visiibilidades: Vivências de Mulheres Imigrantes dos PALOP em Portugal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.56002/ceos.0156b

Palavras-chave:

trabalho doméstico, migração, mulheres, PALOP, precariedade laboral

Resumo

Nas últimas décadas, Portugal tem acolhido numerosas mulheres oriundas dos PALOP, que migram em busca de melhores condições de vida, autonomia económica e novas perspetivas de futuro. Para muitas, o trabalho doméstico surge como uma das poucas vias de inserção profissional disponíveis, ainda que marcado por fortes dinâmicas de precariedade e exploração. As suas trajetórias evidenciam resiliência face a desigualdades de género, raça e etnia, constituindo um campo privilegiado para compreender tanto o quotidiano migratório como as estruturas sociais mais amplas que o moldam. Este estudo analisa as vivências e perceções de mulheres imigrantes dos PALOP empregadas no setor doméstico em Portugal, com enfoque nas condições laborais e nas dinâmicas de discriminação. A relevância do tema reside em dar visibilidade a um grupo frequentemente marginalizado, contribuindo para o debate académico em torno da migração, do trabalho doméstico e das desigualdades estruturais, bem como para a reflexão crítica sobre políticas públicas e justiça social. A investigação adotou uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, baseada em entrevistas semiestruturadas a 11 mulheres oriundas de diferentes países dos PALOP e residentes em Portugal. As narrativas recolhidas revelam condições laborais precárias, ausência de contratos formais, baixos salários, longas jornadas e situações de exploração. As participantes relatam ainda experiências de discriminação racial e de género, com impactos significativos na sua saúde física e emocional. Simultaneamente, emergem estratégias de resistência e agência, através de redes informais, do apoio de organizações da sociedade civil e da mobilização coletiva. Conclui-se que o reconhecimento formal do trabalho doméstico como atividade essencial é condição indispensável para a promoção da justiça social, da equidade de género e do respeito pelos direitos humanos. A tese sublinha, ainda, a necessidade de políticas públicas inclusivas e de aprofundar a investigação académica sobre mulheres migrantes em setores profissionais específicos, através de abordagens comparativas e interseccionais.

Biografia Autor

Helen Cruz, Universidade da Maia

Licenciada em Criminologia e mestre em Criminologia e Justiça Penal pela Universidade da Maia, com pesquisa focada no trabalho doméstico e suas (in)visibilidades, explorando as vivências de mulheres imigrantes dos PALOP em Portugal. Participei do projeto MIGAP, dedicado a estudos sobre migrações, e participarei no congresso ‘Mulheres, Mundos do Trabalho e Cidadania - Diferentes Olhares, Outras Perspetivas’. Minha investigação aborda questões de gênero, migração e justiça social, com interesse em políticas públicas e direitos das mulheres migrantes.

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Publicado

2025-11-28

Edição

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Artigos